Tchim tchim
Nunca mais escrevi. Porquê que nunca mais escrevi? Porque passo o dia a escrever, mas agora em inglês. E olhem, se uma pessoa já é meia disléxica, sempre a escrever palavras que não existem na sua língua nativa, imaginem noutra que nada tem a ver. Mesmo com muitas horas de filmes sem legendas e mais horas a ler letras de músicas de amor e carpe diem. Mesmo a tentar correr mais rápido que os outros e sempre com o Google Translate aberto, a adaptação não tem sido simples, embora também não me possa queixar. Ora bem, vou a pé para o trabalho e demoro menos de 20 minutos - sim continuo a viver em Londres, onde a média de commute é uma hora com pelo menos dois transportes diferentes, pelo que todos os dias agradeço este miminho. Ontem por exemplo, resolvi agarrar na minha querida bike e sair de casa há hora de sempre, 8:30. Às 8:40 já estava na agência e nada teve de mau. Estacionar a menina, subir no elevador até ao quinto andar, deixar as coisas na secretária e percorrer o open space gigante, branco de cor e de luz que o sol também chegou cá porque, ouvi dizer, quando nasce é para todos, até à cozinha. Já lá, preparar o meu inseparável cappuccino instantâneo e voltar para o lugar para o dia começar. Agência gira a minha.
Gosto do que faço, gosto muito. O melhor das agências e o melhor do cliente, muitas letras, muitas apresentações e alguns números para equilibrar. Muita opinião, alguma discussão, muitas inseguranças, arriscar aqui e ali, errar, acertar. É uma agência pequena, o meu departamento ainda mais. Gosto de ser estratéga e sou feliz com a minha rotina, com os meus projectos, com a abordagem colaborativa lá do estaminé. Talvez seja menos com a incerteza contratual, com aqueles dias em que o meu trabalho depende dos outros, quando não me ouvem, quando penso no que ando para aqui a fazer. Não gosto de estar longe de Portugal e cada vez gosto menos, sobretudo quando os voos cada vez aumentam mais. Outros dias, acho que ainda ontem, nem sequer penso em voltar (juro, voltar para quê?). Mas depois repenso. Penso em vocês, no sol, no mar, nos pastéis de belém, na vontade de dizer palavras parvas e piadas ainda mais tontas que muitos não percebem mas alguns se riem. Preciso de incerteza mas de rotina, de organização mas de mini caos esporádicos, de fazer carreira mas de sair as 6:00, de fazer yoga mas de beber copos de vinho tinto uns atrás dos outros, de comer saudável mas fumar um cigarrinho aqui e ali e, sim, já passei os 30 e continuo sem a certeza de nada. Quem está comigo?
Outro diz falava com o meu pai que não tinha casa nem qualquer previsão de comprar uma ( mas alugar não chega? Será mesmo deitar dinheiro ao lixo?), que comecei a vender bolos mas ainda não vendi nenhum, que adoro escrever mas já não sei o que dizer, que estou aqui mas... Mas o quê? Acho que pela primeira vez estou aqui e é aqui que quero estar. E quero aproveitar esta cidade fantástica que tem tudo e às vezes não dá nada, a não ser a esperança que um dia tudo vai correr bem. E quiças esse dia até é hoje, por isso o melhor é mesmo aproveitar a lua cheia. E brindar à vida, sem pensar na saudade emigrante que sempre espreita cá no fundo, mesmo quando queremos ser fortes. Tchim tchim.
Gosto do que faço, gosto muito. O melhor das agências e o melhor do cliente, muitas letras, muitas apresentações e alguns números para equilibrar. Muita opinião, alguma discussão, muitas inseguranças, arriscar aqui e ali, errar, acertar. É uma agência pequena, o meu departamento ainda mais. Gosto de ser estratéga e sou feliz com a minha rotina, com os meus projectos, com a abordagem colaborativa lá do estaminé. Talvez seja menos com a incerteza contratual, com aqueles dias em que o meu trabalho depende dos outros, quando não me ouvem, quando penso no que ando para aqui a fazer. Não gosto de estar longe de Portugal e cada vez gosto menos, sobretudo quando os voos cada vez aumentam mais. Outros dias, acho que ainda ontem, nem sequer penso em voltar (juro, voltar para quê?). Mas depois repenso. Penso em vocês, no sol, no mar, nos pastéis de belém, na vontade de dizer palavras parvas e piadas ainda mais tontas que muitos não percebem mas alguns se riem. Preciso de incerteza mas de rotina, de organização mas de mini caos esporádicos, de fazer carreira mas de sair as 6:00, de fazer yoga mas de beber copos de vinho tinto uns atrás dos outros, de comer saudável mas fumar um cigarrinho aqui e ali e, sim, já passei os 30 e continuo sem a certeza de nada. Quem está comigo?
Outro diz falava com o meu pai que não tinha casa nem qualquer previsão de comprar uma ( mas alugar não chega? Será mesmo deitar dinheiro ao lixo?), que comecei a vender bolos mas ainda não vendi nenhum, que adoro escrever mas já não sei o que dizer, que estou aqui mas... Mas o quê? Acho que pela primeira vez estou aqui e é aqui que quero estar. E quero aproveitar esta cidade fantástica que tem tudo e às vezes não dá nada, a não ser a esperança que um dia tudo vai correr bem. E quiças esse dia até é hoje, por isso o melhor é mesmo aproveitar a lua cheia. E brindar à vida, sem pensar na saudade emigrante que sempre espreita cá no fundo, mesmo quando queremos ser fortes. Tchim tchim.
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