hoje
Hoje vou tirar algum tempo para escrever, não muito, só o suficiente. Está sol lá fora mas eu estou bem cá dentro. De pequeno-almoço tomado e café bebido, é o primeiro dia no último mês em que não tenho que enviar e-mails atrás de e-mails, candidaturas umas atrás das outras e esperar, com menos ou mais calma pelas respostas que podem ser positivas, negativas, indiferentes ou ausentes. Mas isso vocês já sabem, já conhecem de cor. Quem nunca ficou ou não esteve mesmo ao seu lado alguém que ficou sem trabalho inesperadamente? Olhem eu fiquei. Para os mais distraídos, foi uma terça quando soube a notícia e a sexta seguinte o meu último dia na agência, nem um dia a mais, nem um segundo a mais pago. Custou? Sim mas já passou. Num mês. Foi um mês estranho, rápido e cheio de altos e baixos, muitas entrevistas, boas, muito boas, muito más incluídas. Muitos copos de vinho tinto, conversas sem nexo, medo de não conseguir pagar as contas, saladas no parque, sapatos de verniz a passear em autocarros, textos lidos e escritos, apresentações em ppt. Terminou com duas propostas à frente e uma (semi, vá) frustração, aquele trabalho que queria mesmo, sabem? Aquela agência que faz parte daquele grupo tão cool que nunca vais pertencer, talvez até difícil demais para o que depois te dará mas mesmo assim é lá que queres estar. Foi essa a que não consegui. É assim, hoje é assim.
Já a outra, que na verdade é a melhor de todas, a que correu bem desde o primeiro dia em que resolvi por uns saltos altos e quando lá cheguei vi que o que me ia entrevistar me dava pelo ombro, onde começo para a semana, essa é a real. E que há melhor na vida que coisas reais? Relações reais, empregos reais até férias reais. Sempre vivi no mundo dos sonhos mas cada vez valorizo mais o que tenho a frente. Tão normal, tão banal que se nos distraímos deixamos de ver o quão especial é. Não sei que rumo estou a dar a este texto, mais lamechas que o dia cheio de sol lá fora mas é tempo de transição, de mudança. Segunda começo um trabalho novo, num ano em que nem me deu tempo para adaptar ao anterior, de tão rápido que o perdi. Um ano em que mal me tinha levantado já estava a cair de novo, em que se vê os avós cada vez mais velhinhos, amigos cada vez mais distantes, pessoas que gostamos doentinhas, acontecimentos inesperados mas também muitas coisas boas, lutas, conquistas, pequenas vitórias e derrotas que nos tornam mais nós. Hoje é quinta-feira e eu vou para Marraquexe. Daqui a 3 dias já volto mas o que interessa é mesmo hoje. Porque amanhã, esse nunca se sabe como vai ser - e isto não é Carpe Diem, são só os 30 e a distância a falarem.
Já a outra, que na verdade é a melhor de todas, a que correu bem desde o primeiro dia em que resolvi por uns saltos altos e quando lá cheguei vi que o que me ia entrevistar me dava pelo ombro, onde começo para a semana, essa é a real. E que há melhor na vida que coisas reais? Relações reais, empregos reais até férias reais. Sempre vivi no mundo dos sonhos mas cada vez valorizo mais o que tenho a frente. Tão normal, tão banal que se nos distraímos deixamos de ver o quão especial é. Não sei que rumo estou a dar a este texto, mais lamechas que o dia cheio de sol lá fora mas é tempo de transição, de mudança. Segunda começo um trabalho novo, num ano em que nem me deu tempo para adaptar ao anterior, de tão rápido que o perdi. Um ano em que mal me tinha levantado já estava a cair de novo, em que se vê os avós cada vez mais velhinhos, amigos cada vez mais distantes, pessoas que gostamos doentinhas, acontecimentos inesperados mas também muitas coisas boas, lutas, conquistas, pequenas vitórias e derrotas que nos tornam mais nós. Hoje é quinta-feira e eu vou para Marraquexe. Daqui a 3 dias já volto mas o que interessa é mesmo hoje. Porque amanhã, esse nunca se sabe como vai ser - e isto não é Carpe Diem, são só os 30 e a distância a falarem.
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