Liberdade
Natal. Melhor, 3 semanas para o Natal. Dia de almoços exóticos, bolo feio mas bom e conversas que dão que pensar. Cresci, crescemos. Já não temos 16 nem 18, nem mesmo 30. Espera lá, o que é que me escapou? Já não temos 30? Então o que andamos a fazer nos últimos anos? Trabalhar, viajar, trabalhar para viajar. O que fizeste com as poupanças? "Comi e bebi" ouvi uma vez - sim, foste tu. Não interessa o que fiz com as minhas mas cada vez mais só há uma coisa que quero poupar. Tempo. Okay, talvez três porque somos ambiciosos, como millennials que somos. Escolho tempo, saúde e respeito. Credo, será que afinal vou fazer 60 e não reparei pelo tempo passar?
Natal. Época de dar e receber. Nunca fui boa na segunda, estou cada vez pior na primeira. Talvez fruto do (não tempo), talvez porque se vivemos no salve-se quem puder eu quero ser das que se podem salvar. E que ajuda a salvar também mas que não põe as mãos no fogo porque já se queimou muitas vezes - e sabe que mais vezes nunca são demais..
Natal. Não cai bem, não cai mal, mas sai cá de dentro e dá que pensar. Sempre deu.
Pois vamos ao que interessa e ao que não interessa assim tanto.
Sinto-me distante. De ti e de mim. De ti que não vejo há 10 anos e de ti que queria só ver 10 minutos. De ti que vais para o segundo filho e de ti que vais para o terceiro que afinal é a primeira filha. Sinto saudades tuas, das tuas rabugices, dos teus amuos, até de não veres nada a frente. Gosto de ti mas nunca te escrevo, telefono ou vejo. Mas gosto e gosto muito. Gostava de poder pegar no telefone e ligar-te e dizer "bora beber um café" como se os anos não tivessem passado mas que o tempo tivesse e continuássemos a saber o que já sabemos hoje. Eu sei, podes ser muita gente e não és ninguém porque quando não se dá um nome é porque não se está a falar com ninguém, verdade?
Mentira.
Choro. Ou sei lá o que isto é mas caiem-me as lágrimas. Fala-se de se ser diferente, de sempre se ter sido. De nunca encaixar, da sede de viver e de se querer mais e mais mas não haver espaço para encaixar tudo a que se tem direito - nem todos os que têm esse direito. Espíritos livres acorrentados pelo dia a dia, pela necessidade de experienciar o que já não se pode fazer sem um tostão no bolso como sempre se fez. Na verdade já nem me lembro o que isso era, ficava só bem na prosa livre.
Penso em paz, espalho paz. Dizes-me que não chega, que há mais que isso em jogo, que há interesses e poder e sei lá mais o quê mas que nada será como dantes. Isso não. Tens razão, nada será como dantes porque nós já não somos os mesmos. Novos nós. Novo tu, nova eu mas com qualquer coisa lá no fundo de igual, de cúmplice. É bom sentir paz onde já houve tumulto, confusão, atrito. É bom e faz bem.
Faz bem ser Natal. Pelo sim pelo não, pelo menos pode-se comer os bolos que se quer sem ter que dar justificação a ninguém e aí sim, voltar àquele conforto de há uns anos, talvez mais dos que parecem, e só estar, assim estar, sabem?, só a contemplar. Sem a certeza de nada mas com vontade de tudo. E a com aquela eterna esperança de que, aconteça o que acontecer, vai ficar tudo bem. Está tudo bem.
Feliz Natal.
Natal. Época de dar e receber. Nunca fui boa na segunda, estou cada vez pior na primeira. Talvez fruto do (não tempo), talvez porque se vivemos no salve-se quem puder eu quero ser das que se podem salvar. E que ajuda a salvar também mas que não põe as mãos no fogo porque já se queimou muitas vezes - e sabe que mais vezes nunca são demais..
Natal. Não cai bem, não cai mal, mas sai cá de dentro e dá que pensar. Sempre deu.
Pois vamos ao que interessa e ao que não interessa assim tanto.
Sinto-me distante. De ti e de mim. De ti que não vejo há 10 anos e de ti que queria só ver 10 minutos. De ti que vais para o segundo filho e de ti que vais para o terceiro que afinal é a primeira filha. Sinto saudades tuas, das tuas rabugices, dos teus amuos, até de não veres nada a frente. Gosto de ti mas nunca te escrevo, telefono ou vejo. Mas gosto e gosto muito. Gostava de poder pegar no telefone e ligar-te e dizer "bora beber um café" como se os anos não tivessem passado mas que o tempo tivesse e continuássemos a saber o que já sabemos hoje. Eu sei, podes ser muita gente e não és ninguém porque quando não se dá um nome é porque não se está a falar com ninguém, verdade?
Mentira.
Choro. Ou sei lá o que isto é mas caiem-me as lágrimas. Fala-se de se ser diferente, de sempre se ter sido. De nunca encaixar, da sede de viver e de se querer mais e mais mas não haver espaço para encaixar tudo a que se tem direito - nem todos os que têm esse direito. Espíritos livres acorrentados pelo dia a dia, pela necessidade de experienciar o que já não se pode fazer sem um tostão no bolso como sempre se fez. Na verdade já nem me lembro o que isso era, ficava só bem na prosa livre.
Penso em paz, espalho paz. Dizes-me que não chega, que há mais que isso em jogo, que há interesses e poder e sei lá mais o quê mas que nada será como dantes. Isso não. Tens razão, nada será como dantes porque nós já não somos os mesmos. Novos nós. Novo tu, nova eu mas com qualquer coisa lá no fundo de igual, de cúmplice. É bom sentir paz onde já houve tumulto, confusão, atrito. É bom e faz bem.
Faz bem ser Natal. Pelo sim pelo não, pelo menos pode-se comer os bolos que se quer sem ter que dar justificação a ninguém e aí sim, voltar àquele conforto de há uns anos, talvez mais dos que parecem, e só estar, assim estar, sabem?, só a contemplar. Sem a certeza de nada mas com vontade de tudo. E a com aquela eterna esperança de que, aconteça o que acontecer, vai ficar tudo bem. Está tudo bem.
Feliz Natal.
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