Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2014

Para quem não percebeu - com todo o respeito

Sempre tive este (des)dom. Falar e escrever quase tão rápido como o cérebro pensa mas mesmo assim não o conseguir apanhar. Isto dá origem a dislexias várias, erros desnecessários e, acima de tudo, muita coisa que deveria ser revista e não é. Felizmente, o que tem de tosco tem de genuíno. E é por isso que às vezes não devem apanhar nada do que escrevo por aqui. As minhas sinceras desculpas. Agora vamos ao que interessa, uma pequena explicação da minha situação profissional do momento, a pedido não de muitas mas de suficientes famílias. Na quarta-feira passada comecei como Assistant Planner numa agência de Social e PR da modinha. Agência pequena para os padrões aqui da urbe -umas 60 pessoas- open space ao lado de Oxford Street, clientes sexys para se ter no CV, pequeno-almoço grátis, mais de 20 chás diferentes e muita desorganização. Fui bem recebida, não me posso queixar. Café, secretária e e-mail criado em menos de 3 horas. O primeiro brief já tinha chegado dois dias antes e é co...

Done

Acabei de assinar o contrato, que chegou hoje ao correio. Nem o li, aliás li mas já esqueci. Já só penso em começar.

Lá fora

Chove tanto lá fora -imenso - é domingo e a máquina de lavar canta ao seu ritmo chato. Este é o primeiro fim-de-semana desde há um ano que segue uma semana de secretária numa agência. É bom estar de volta. Acordar de manhã e ter apenas meia hora para banho e organizar tudo. Sair a correr, de marmita na mão e barras de cereais na mala, apanhar o autocarro, depois o metro, depois andar mais 7 minutos. Ainda há uma semana acordava calmamente, tomava o pequeno-almoço ainda com mais calma a ler um livro, tomava um banho demorado, seguido de um cappuccino a ler os mails e só então começava o dia. Não é difícil ler os pros e contras nas entrelinhas. Quer dizer, é. Mas é bom estar de volta à "vida activa, mais certa". Porque ser freelancer tem o melhor liberdade mas o pior da não segurança. E eu já estava a precisar das duas.

Não há trabalho como o primeiro

Ou há? Ora bem, por onde começar? Primeira rave matinal às 6:30 da manhã, com smoothies, massagens e londoners doidos a dançar e aos pulos como se não houvesse preocupações, só felicidade. Primeiro dia na nova agência - cooool, muito cooool. Primeiro telefonema com uma proposta de trabalho noutra agência - wooohooo. Primeiro e-mail a formalizar a proposta de trabalho - sem palavras. Primeira vez que nem sei o que escrever. Só me ocorre: O B R I G A D A a vocês que, como eu, nunca desistiram. Obrigada mesmo, hein? Olhem que não me esqueço desta.

Aquele e-mail

E eis senão quando recebes aquele e-mail que esperavas há 10 meses - ou há dois, já lá vou. Como sabem, cheguei a Londres em Março cheia de esperanças e projectos. Com 5 anos de experiência em publicidade, comecei por me candidatar a mid level positions - sempre ouvi dizer que aqui é melhor começar por baixo. Passados uns meses passei a procurar posições mais juniores e, mais recentemente, desde Dezembro, estágios/internships/work placements, o que quer que fosse que me pusesse dentro de uma agência. Sim, com cinco anos de experiência, mas após tantos nãos começa a valer tudo. Para tornar a coisa simples, em Novembro fui a uma entrevista numa agência mega no centro de Londres e a entrevista correu bem, até me escreveram a dizer que o MD gostou muito de mim. Irlandês,  com uma experiência internacional na Ásia e mente aberta, pareceu-me que podia haver um futuro. Contudo, para não variar, queriam alguém com UK experience. Não desisti, e em Dezembro escrevi-lhe a pedir uma intershi...

It´s yoga time

O yoga estar na moda não é coisa de agora. A primeira vez que experimentei foi há cerca de 10 anos, inspirada na minha tia Z, fiel praticante na altura. Odiei. O ritmo, a respiração, a calma. Nada a ver comigo, miúda habituada a 2 horas de ginástica 4 vezes por semana mais umas quantas de volley. Então resolvi experimentar pilates e gostei, na altura fazia sentido e fez durante uns 3 anos. A verdade é que desde os 16 que passei de hiper activa a hiper preguiças mas lá ia indo às aulas, umas semanas mais que outras. Até que fiz Erasmus, acabei o curso e comecei a trabalhar e aí foi a morte do artista, sem me mexer sem ser durante 3 meses no Holmes Place onde voltei a ter contacto com o Yoga - não vale gozar, era ao lado da agência. O método utilizado era o De Rose e podia ser de-quem-quer-que-fosse pois conquistou-me. O ritmo, a respiração, a calma, tudo fazia mais que sentido. A concentração voltou, tal com o prazer em fazer desporto, a self-awareness (que raio, como se diz isto em ...

E mais nada

Hoje tiraram uma maminha a uma pessoa muito importante da minha vida. A piada, o amor, a dedicação, a beleza, a doçura, o sarcasmo, isso ficou tudo. Só lhe tiraram mesmo uma maminha. E mais nada. 

Democracia

Tanto sol que mal consigo abrir os olhos. Também pode ser por não ter dormido quase nada, mas um sol brilhante em Londres, em Janeiro, das 9 às 4, é um luxo sem preço. Há bocado fui beber um latte ao Pret a Manger - os defensores do comércio local podem odiar-me por isso, mas se posso pagar 2,10libras já com leite de soja, sem extras, para quê pagar mais uma pelo café que gosto? Talvez quando estiver mais à vontade de finanças, mas para já opto pelo democrático. Nesta cadeia de comida supostamente orgânica e de ingredientes oriundos de comércio justo, há de tudo um pouco de saladas a sanduíches, passando por wraps, sopas e fruta descascada e cortada. Pessoalmente não adoro a comida, come-se. Se não tiver molho, sabe tudo ao mesmo e os molhos são maionese e caril. Já imaginaram uma maravilhosa sopa de legumes e caril sem ser passada? Também há espaço para todos. Sentam-se lá o executivo da City, a consultora sexy, a teenager revoltada com o mundo, o vendedor da Big Issue ( a Cais cá da...

I don´t take no for an answer

Até hoje. Hoje faz 10 meses que comecei à procura de trabalho em Londres como planner. Após alguns anos a trabalhar como copywriter sempre com um olho na estratégia, decidi vir para a terra do Account Planning tentar a minha sorte. E não foi muita. Entrevista atrás de entrevista fui treinando a melhor forma de me vender, que era nula quando cheguei. Em Portugal não te ensinam a fazer entrevistas e ainda bem (e mal). As pessoas confiam em ti e no teu potencial, só tens que lhes mostrar. E depois provar. Já em Moçambique, o contexto é mais o da tentativa-erro. Procurar um lugar onde se quer trabalhar, ver se há cota e só então perceber se és a pessoa certa  (eu tive que esperar 3 meses até a agência ter vaga para mim pois não podia contratar mais estrangeiros. Nessa altura, acabada de chegar, tinha zero contactos numa terra em que dizem que só vai lá com cunha, por isso continuei a acreditar que tudo é possível). Aqui a história é outra: it´s all about the business. Tens ou não ...

Regresso ao passado

E eis que não quando estou de volta ao Google Campus - lembram-se, aquele espaço de co-work da Google onde se pode ir trabalhar pela simpática quantia de zero libras? Para isso, basta registar no site e tem-se direito a um espaço numa secretária, cadeira, internet e água grátis das 9 às 5:30, um completo working day. Tem ainda um café com comida e bebidas decentes, mas também se pode trazer. Hoje que é dia de mudança fui à M&S comprar uma baguete, sumo de maçã e um iogurte para à hora de almoço acrescentar rúcula e salmão fumado  - embora 100g de salmão fumado no Tesco custem 3,25L(dão para 1 vez e meia) + 0,82 da baguete e já feita custa 2,50. Lá está, ir pagando aos  bocadinhos custa sempre menos mesmo que no final de gaste mais. Alguns talvez se lembrem que, quando cheguei a Londres, em Abril, vinha para cá com o J. Ele a escrever a tese, eu a passear na Internet à procura de trabalho e coisas giras para fazer na cidades nova. Eis que, passados 10 meses a situação pou...

Profissão: blogger

Adorava ter a classe das miúdas que se auto e hetero intitulam de bloggers e (até) instagramers. Têm sempre entre 20 e 30 anos um jeito acima da média para o uso de filtros fotográficos e uma capacidade inter galáctica em escrever disparates que toda a gente gosta - e bota like no Facebook. São excelentes social media multitaskers - isto é, fazer updates no Facebook, Tumblr, Pinterest, Instagram e Twitter ao mesmo tempo é para amadores - e especialmente famosas por poderem comer tudo o que querem, como torres de panquecas com nutella e framboesas (provavelmente também são ricas, porque os frutos vermelhos upa upa no preço), brownies com chantilly (biarrc, odeio chatilly) e cappuccinos com natas e caramelo extra sem ficarem com azia, celulite ou sequer robolar no sofá - muito menos sentimentos de culpa porque são super bem resolvidas com elas mesmas. Que mais vos posso eu dizer sobre estas bloggers profissionais? Têm sempre por perto algum Santo ou Santa que lhes tira um, outra ou mil...

Part-time or no part-time

Dei por mim a enviar duas candidaturas para part-time em cafés, aqui ao lado se casa. Será que já me esqueci de como era trabalhar no H+H? Ou simplesmente começo a ficar um bocado em pânico por não ver perspectivas em arranjar algo mais permanente? É altura de me (auto) lembrar que não há nada mais sexy que ser freelance writer - pena também não haver nada mais incerto e mal pago... Anyway, bom domingo, com ovos escalfados, espinafres e cogumelos. Mnham.

Balanço ( mas não muito para não enjoar)

Ora bem, vamos por alguma ordem nisto. Estava aqui a ver e comecei este blog há quase 1 ano. Sim senhores, amanhã faz 1 ano que publiquei o primeiro post do The Afro Londonder, por isso por volta desta altura já devia andar a pensar em nomes, plataformas e layouts. A verdade é que em um ano não sinto que tenha evoluído muito na mensagem que queria passar. Para ser sincera, achei que 2013 seria o ano da mudança. Enganei-me redondamente, foi antes o ano da transição pelo que ainda estou a tentar colher frutos das primeiras sementes. Acho que faz parte, ainda mais estando na contagem decrescente para os 30. T r i n t a ?! Sim, trinta anos não é nada e é muito, pelo menos dá que pensar e deixa a cabeça a divagar. Ainda ontem era adolescente - hm...pensando bem, isso foi no ano passado!!- como é que os meus amigos todos estão a casar-se e a ter filhos quando eu ainda me estou a candidatar a estágios? E, quando me sinto sem saber o que fazer, penso " Se calhar devia era ser professora...

Bom tempo, bom café e uma bike

Ano novo, vida nova. Era bom ser tão simples de fazer como é escrever. As férias em Portugal tiveram longe de ter este nome, pelo que mais vale deixá-las por lá. Já cá, a vida começa com um doçura estranha, mais amarga, tipo banana quando ainda está verde, sabem? Também sentem que a digestão custa mais a fazer? Planos que não avançam, sonhos que não se concretizam, ideias que vão e vêem mas temem em ficar. Estes últimos dias têm dado que pensar, na verdade um pouco como todo o último ano. Tanta coisa que mudou, embora ainda tenha a esperança de voltar a sentir-me mais livre e a querer voltar a abraçar o mundo como se não houvesse amanhã. Há exactamente um ano vivia em Moçambique e era Verão. Tinha um bom trabalho, uma boa velha casa com vista para o mar, um grupo enorme de amigos que sabiam a família. Em poucas palavras, uma vida estável dentro do possível, num país que não conhece a estabilidade mas que conhece o calor, a praia e a boa vida. Nessa altura, talvez até antes, per...