I don´t take no for an answer
Até hoje.
Hoje faz 10 meses que comecei à procura de trabalho em Londres como planner. Após alguns anos a trabalhar como copywriter sempre com um olho na estratégia, decidi vir para a terra do Account Planning tentar a minha sorte. E não foi muita.
Entrevista atrás de entrevista fui treinando a melhor forma de me vender, que era nula quando cheguei. Em Portugal não te ensinam a fazer entrevistas e ainda bem (e mal). As pessoas confiam em ti e no teu potencial, só tens que lhes mostrar. E depois provar.
Já em Moçambique, o contexto é mais o da tentativa-erro. Procurar um lugar onde se quer trabalhar, ver se há cota e só então perceber se és a pessoa certa (eu tive que esperar 3 meses até a agência ter vaga para mim pois não podia contratar mais estrangeiros. Nessa altura, acabada de chegar, tinha zero contactos numa terra em que dizem que só vai lá com cunha, por isso continuei a acreditar que tudo é possível).
Aqui a história é outra: it´s all about the business. Tens ou não tens o que eles querem e não há tempo a perder até porque há muita gente na fila de espera para agarrar as oportunidades. Gente boa que se sabe vender muito bem - afinal, é o que aprendem na escola desde pequeninos, isso e a expressar as suas opiniões e argumentos.
Hoje recebi mais duas respostas negativas, as últimas dos próximos tempos porque vou parar de enviar CVs - nem que seja durante umas horas, vá, para tentar perceber para onde me devo virar. Uma das agências era pequenina, com clientes confidenciais na Suíça e na Rússia, pelo que se esperava um desafio fora de série. Fui mandada por um headhunter que foi impecável comigo até ter tido o não final. Aí voltei a ser uma looser em vez de uma candidata bestial com "great writing skills and personality". A outra, qual avó, velha estória que nunca é de mais contar. Tudo começou em Outubro quando fui a uma grande agência de cá ter uma entrevista para Jr Planner. Aquilo começou bem, até o CSO (Chefão dos planners) parecer desinteressado no que eu estava a dizer. Então tentei dar a volta à coisa, perguntando-lhe o que é que procurava. Ele respondeu "Um inglês". Sim, na altura também me custou ouvir e não, já não me custa nada. Acrescentou que precisava de alguém que percebesse os hábitos de pequeno-almoço dos ingleses pois o cliente era uma marca de cereais. Ora, sendo eu a fã número um - não há margem para disputas- do pequeno-almoço e entre os 100 maiores especialistas amadores de cereais, o senhor CSO não poderia estar mais errado nas suas suposições de que eu não ia estar à altura do posto. A conversa terminou com ele a dizer que se o departamento dele fosse maior até me contratava mas sendo estrangeira e só tendo uma vaga, não dava. Acrescentou uns nomes de uns, segundo ele, bons headhunters "I liked you and you are obviously bright"- e despediu-se até uma próxima.
O caminho até casa, no autocarro 73 foi feito em soluços de choro compulsivo e muito ranho nos lenços. Felizmente acabou-se o pacote e tive que me recompor. Então escrevi-lhe um mail a dizer que, se me queria realmente ajudar para me dar um estágio ou contactos de planners que trabalhem EMEA ( Europe, Middle East and Africa), área em que eu seria mais competitiva - afinal, já tomei muito mais pequenos almoços fora de Londres do que cá. Ele não me respondeu, até que 3 semanas depois recebi um e-mail dos recursos humanos da tal agência a dizer que o Sr CSO tinha gostado muito de mim e que me queria propor um estágio para Janeiro. Ora, ainda era Outubro, pelo que ficámos de falar mais em cima do acontecimento. Em Novembro a dita senhora liga-me a dizer que estão cheios de trabalho e que precisam de mim para a semana seguinte. No entanto, tanta coisa a não dar certo em 2013 que esta chamada nem provocou xitex. E mais, tinha acabado de começar noutro sitio essa semana e iam fazer-me a proposta final em breve (outro post, hoje não dá para contar tudo). Ora e ainda bem pois passado uma semana disseram-me que afinal não tinham budget e que só em Janeiro haveria novidades. E hoje, 13 de Janeiro, escrevem a dizer que budget só em Fevereiro.
Então o que se faz a esta gente? Chama-se muitos palavrões, vai-se dar um passeio a pé e tenta-se esquecer. Como uma curte de adolescente que não deu certo e está na altura de aceitar. "He is not that into you".
Aqui entre nós que não comemos cereais ao pequeno-almoço, se isto é a tão aclamada educação britânica, venha daí o desrespeito latino que com ele posso eu bem e com isto ainda não sei lidar. Nem quero.
Nota: Comecei a escrever este texto de manhã e parei para almoçar e ir cuscar um estúdio de hot yoga. No entretanto recebi um mail de um tipo dos HR de uma agência onde fui em Julho e fiquei em segundo lugar - o que em recrutamento não conta nada pois não dá direito a prémio de consolação - a dizer que abriu nova vaga e se estava interessada em candidatar-me. Conclusão: "I don´t take no for an answer ". Mas um sim sabia bem melhor.
Hoje faz 10 meses que comecei à procura de trabalho em Londres como planner. Após alguns anos a trabalhar como copywriter sempre com um olho na estratégia, decidi vir para a terra do Account Planning tentar a minha sorte. E não foi muita.
Entrevista atrás de entrevista fui treinando a melhor forma de me vender, que era nula quando cheguei. Em Portugal não te ensinam a fazer entrevistas e ainda bem (e mal). As pessoas confiam em ti e no teu potencial, só tens que lhes mostrar. E depois provar.
Já em Moçambique, o contexto é mais o da tentativa-erro. Procurar um lugar onde se quer trabalhar, ver se há cota e só então perceber se és a pessoa certa (eu tive que esperar 3 meses até a agência ter vaga para mim pois não podia contratar mais estrangeiros. Nessa altura, acabada de chegar, tinha zero contactos numa terra em que dizem que só vai lá com cunha, por isso continuei a acreditar que tudo é possível).
Aqui a história é outra: it´s all about the business. Tens ou não tens o que eles querem e não há tempo a perder até porque há muita gente na fila de espera para agarrar as oportunidades. Gente boa que se sabe vender muito bem - afinal, é o que aprendem na escola desde pequeninos, isso e a expressar as suas opiniões e argumentos.
Hoje recebi mais duas respostas negativas, as últimas dos próximos tempos porque vou parar de enviar CVs - nem que seja durante umas horas, vá, para tentar perceber para onde me devo virar. Uma das agências era pequenina, com clientes confidenciais na Suíça e na Rússia, pelo que se esperava um desafio fora de série. Fui mandada por um headhunter que foi impecável comigo até ter tido o não final. Aí voltei a ser uma looser em vez de uma candidata bestial com "great writing skills and personality". A outra, qual avó, velha estória que nunca é de mais contar. Tudo começou em Outubro quando fui a uma grande agência de cá ter uma entrevista para Jr Planner. Aquilo começou bem, até o CSO (Chefão dos planners) parecer desinteressado no que eu estava a dizer. Então tentei dar a volta à coisa, perguntando-lhe o que é que procurava. Ele respondeu "Um inglês". Sim, na altura também me custou ouvir e não, já não me custa nada. Acrescentou que precisava de alguém que percebesse os hábitos de pequeno-almoço dos ingleses pois o cliente era uma marca de cereais. Ora, sendo eu a fã número um - não há margem para disputas- do pequeno-almoço e entre os 100 maiores especialistas amadores de cereais, o senhor CSO não poderia estar mais errado nas suas suposições de que eu não ia estar à altura do posto. A conversa terminou com ele a dizer que se o departamento dele fosse maior até me contratava mas sendo estrangeira e só tendo uma vaga, não dava. Acrescentou uns nomes de uns, segundo ele, bons headhunters "I liked you and you are obviously bright"- e despediu-se até uma próxima.
O caminho até casa, no autocarro 73 foi feito em soluços de choro compulsivo e muito ranho nos lenços. Felizmente acabou-se o pacote e tive que me recompor. Então escrevi-lhe um mail a dizer que, se me queria realmente ajudar para me dar um estágio ou contactos de planners que trabalhem EMEA ( Europe, Middle East and Africa), área em que eu seria mais competitiva - afinal, já tomei muito mais pequenos almoços fora de Londres do que cá. Ele não me respondeu, até que 3 semanas depois recebi um e-mail dos recursos humanos da tal agência a dizer que o Sr CSO tinha gostado muito de mim e que me queria propor um estágio para Janeiro. Ora, ainda era Outubro, pelo que ficámos de falar mais em cima do acontecimento. Em Novembro a dita senhora liga-me a dizer que estão cheios de trabalho e que precisam de mim para a semana seguinte. No entanto, tanta coisa a não dar certo em 2013 que esta chamada nem provocou xitex. E mais, tinha acabado de começar noutro sitio essa semana e iam fazer-me a proposta final em breve (outro post, hoje não dá para contar tudo). Ora e ainda bem pois passado uma semana disseram-me que afinal não tinham budget e que só em Janeiro haveria novidades. E hoje, 13 de Janeiro, escrevem a dizer que budget só em Fevereiro.
Então o que se faz a esta gente? Chama-se muitos palavrões, vai-se dar um passeio a pé e tenta-se esquecer. Como uma curte de adolescente que não deu certo e está na altura de aceitar. "He is not that into you".
Aqui entre nós que não comemos cereais ao pequeno-almoço, se isto é a tão aclamada educação britânica, venha daí o desrespeito latino que com ele posso eu bem e com isto ainda não sei lidar. Nem quero.
Nota: Comecei a escrever este texto de manhã e parei para almoçar e ir cuscar um estúdio de hot yoga. No entretanto recebi um mail de um tipo dos HR de uma agência onde fui em Julho e fiquei em segundo lugar - o que em recrutamento não conta nada pois não dá direito a prémio de consolação - a dizer que abriu nova vaga e se estava interessada em candidatar-me. Conclusão: "I don´t take no for an answer ". Mas um sim sabia bem melhor.
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