It´s yoga time

O yoga estar na moda não é coisa de agora. A primeira vez que experimentei foi há cerca de 10 anos, inspirada na minha tia Z, fiel praticante na altura. Odiei. O ritmo, a respiração, a calma. Nada a ver comigo, miúda habituada a 2 horas de ginástica 4 vezes por semana mais umas quantas de volley. Então resolvi experimentar pilates e gostei, na altura fazia sentido e fez durante uns 3 anos.
A verdade é que desde os 16 que passei de hiper activa a hiper preguiças mas lá ia indo às aulas, umas semanas mais que outras. Até que fiz Erasmus, acabei o curso e comecei a trabalhar e aí foi a morte do artista, sem me mexer sem ser durante 3 meses no Holmes Place onde voltei a ter contacto com o Yoga - não vale gozar, era ao lado da agência. O método utilizado era o De Rose e podia ser de-quem-quer-que-fosse pois conquistou-me. O ritmo, a respiração, a calma, tudo fazia mais que sentido. A concentração voltou, tal com o prazer em fazer desporto, a self-awareness (que raio, como se diz isto em português?), o bem estar naquela hora e meia só para mim. Ao principio custou horrores pois a respiração é diferente da do pilates e já estava mais que formatada mas com as aulas e as semanas a avançar tornou-se um vicio. Só saber que havia ali aquele espaço, só para mim, em que não tinha que pensar em mais nada, dava-me motivação para tudo o resto. Seguiu-se Cabo Verde e o Yoga foi substituído pela dança, tal como em Moçambique ao início até que um belo dia descobri o Yoga do Ernesto e desafiei a M e a C a irem comigo. E começou um capitulo grande, ainda a ser escrito, com aulas regulares, muita risota, muito esforço e até com early starts às 6 da manhã. 
O ano passado na Índia, também experimentei umas técnicas, do louco Yoga Mandir de Varanasi e o seu chão de mármore à louca londrina que se foi descobrir para Goa. Valeram pela experiência. 
O Yoga dá-me uma calma e uma paz estranhas, honestas, estranhamente honestas. E normais. Mas aqui em Londres é c a r i s s í m o, em média 12 libras por aula. Então comecei no Life Centre em Notting Hill (com aqueles passes para novos alunos tipo 20 libras 20 dias), seguindo-se das aulas da Tammy e mais recentemente o Hot Yoga - já não dava para fugir mais. Fiz a primeira aula do Yoga, este sim, da moda na 6a-feira e gostei. Primeiro porque parecia que estava em Moçambique de tão quentinho que estava e depois porque sabe mesmo bem estar no quentinho quando estão 5 graus lá fora. Tenho mais 9 aulas pela frente, vamos lá ver como corre. 
Voltando à Tammy, é uma miúda gira que faz Yoga desde sempre. Inspiradora, escolhe a música de acordo com o mood e até Indie vale. As aulas são sempre em salas comunitárias, a um preço acessível (40  libras por 5 aulas) e fortes, pelo que só as consegues fazer se estiveres verdadeiramente dedicada/o. Como tudo na vida. E não diz Namaste no final, ou diz mas sem grande teatralidade. Como deve ser.
Em poucas palavras, no Yoga consigo ser eu mesma e tem sido transversal a várias fases, tanto boas como más. Com o Yoga, vivi melhor Moçambique, aceitei melhor quem eu sou, tentei aceitar um 2013 cheios de estórias complicadas e começar um 2014 de braços abertos para o mundo. Porque o que lá vai, lá vai. Namaste.

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