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A mostrar mensagens de 2015

Afinal sou portuguesa

Criada com estorias africanas desde o berco, acabei por crescer numa volta ao mundo constante, entre avioes, pensamentos e escrita. Talvez por isso sempre me convenci que nao era portuguesa. Nao sabia bem o que era mas o desconhecido, o cheiro estranho e o longe sempre provocaram insaciavel curiosidade. E muita muita vontade de ir nao se sabe para onde. Falta de dinheiro e idade, entre outras coisas, foram atrasando a aventura mas mal pude pisguei-me da lovely Lisboa, que amo do fundo do coracao mas que, como todos os amores apaixonados, gosto ainda mais quando sinto saudade. Long story short, como se diz aqui na terra da rainha, apenas recentemente voltei a sentir a importancia das minhas raizes. Portugal. Portuguesa. Portugues. Meus amigos, esta e a verdade. Quando acordas todos os dias para falar uma lingua que nao e a tua, mudas. Mudas simplemente e dramaticamente, num estranho limbo entre o teatro amador e a telenovela brasileira. Eis que agora tenho saudades da minha l...

Liberdade

Natal. Melhor, 3 semanas para o Natal. Dia de almoços exóticos, bolo feio mas bom e conversas que dão que pensar. Cresci, crescemos. Já não temos 16 nem 18, nem mesmo 30. Espera lá, o que é que me escapou? Já não temos 30? Então o que andamos a fazer nos últimos anos? Trabalhar, viajar, trabalhar para viajar. O que fizeste com as poupanças? "Comi e bebi" ouvi uma vez - sim, foste tu. Não interessa o que fiz com as minhas mas cada vez mais só há uma coisa que quero poupar. Tempo. Okay, talvez três porque somos ambiciosos, como millennials que somos. Escolho tempo, saúde e respeito. Credo, será que afinal vou fazer 60 e não reparei pelo tempo passar? Natal. Época de dar e receber. Nunca fui boa na segunda, estou cada vez pior na primeira. Talvez fruto do (não tempo), talvez porque se vivemos no salve-se quem puder eu quero ser das que se podem salvar. E que ajuda a salvar também mas que não põe as mãos no fogo porque já se queimou muitas vezes - e sabe que mais vezes nunca s...

Tem?

Bloqueio. O hábito é tanto e a rotina é mais que não sei o que fazer quando não tenho nada planeado. Londres consegue ser tão bruta quanto as pessoas. Números, somos números que aqui andamos e se não fizermos o que é suposto há-de vir alguém que fará melhor. Desengana-te tu. Não és especial, nunca foste e se pensaste que eras os teus pais enganaram-se. Não aqui, aqui não há espaço para a normalidade, quando mais para se ser especial. Tem que se ser e pronto, seguir a rotina, os e-mails, as reuniões e não queixar que isso é tempo perdido e não queremos isso. Isso mesmo, porque o tempo passa a correr. Cheguei a Londres há 2 anos como uma visão quase tão romântica como a que com que fui para África. Já devia ter aprendido que os romances são para as pessoas bonitas com um metro e oitenta, cabelos longos e olhos rasgados, não para meias lecas brondes com olive skin. Olhando de fora, tudo parece bem, até perfeito, embora um género com muito filtro do Instagram. Mais trabalho e menos filh...

Aquele dia em que*

Cheguei a casa às 6 da tarde depois de 10 horas de trabalho sem pausas e pensei: tem que haver mais que isto. * titulo muito em voga nas redes sociais. Geralmente segue-se algo como "eu bebi 10 cocktails", "acordei e estava sol" ou "o meu cão deu um pum mas é tão fofo".

Porque estamos fartos de textos sobre emigrantes?

Talvez porque há demasiados emigrantes neste momento por este mundo fora. Não demasiados no sentido em que são demais, mas que são pessoas de menos a ficar em Portugal. As avós choram, as mães agarram-se aos Facebooks desta vida, os primos publicam selfies e mais selfies dos mais pequenos que crescem, sem medos nem vergonha. Os amigos casam-se e têm filhos e casam-se de novo e para novos não vão. O coração, esse fica cada vez mais apertado porque não pode sentir muito senão não aguenta estar fora. Não aguenta? Quer dizer, aguenta porque tem que aguentar porque lá fora "há mais oportunidades" e as pessoas são mais educadas, tudo tem mais estilo (então os cafés, esss são mesmo giros) e não há tristeza que não se camufle com um filtro ou outro no Instangram. O dia a dia? Esse lá se passa de casa para o trabalho e para o primeiro de novo, não sem antes passar no pub para beber o copo da praxe e no Tesco para comprar uma frutinha embalada em embalagens e umas bananas verdes q...

Um dia (não) são dias

Um dia vou voltar para casa. Nesse dia as pessoas vão voltar a perceber o que digo à primeira e não vão dizer "drop this",  "do that" ou até o poderão dizer mas vai ser em português e eu saberei como me defender. Em inglês não sei - confesso que nem sei se algum dia vou saber, sinto-me como uma criança que vai ter o teste avaliado por uma caneta encarnada e não por um professor. Espero que um dia essas pessoas percebam que invento palavras porque sou mesmo assim, em português, em inglês, em chinês, o qual que não sei falar mas se soubesse de certeza que faria o mesmo. Um dia vão perceber como a rapidez é inimiga da perfeição e que para se ser criativo tem que se ser disléxico e que ser-se disléxico é apenas uma forma de não seguir as regras, pelo menos não todos os dias. Seguir as regras cansa, a mim pelo menos cansa. Por isso um dia vou voltar a casa. E aí vou dizer porra para esta merda toda que às vezes é viver fora. Nesse dia também vou ver os meus amigos, os q...
Hoje é o meu último post aqui porque tenho que voltar a escrever - já volto a adormecer com formulações de frases na cabeça. E aqui já não escrevo e já não sou a mesma pessoa que começou a escrever este blog. Pois até já.