Porque estamos fartos de textos sobre emigrantes?
Talvez porque há demasiados emigrantes neste momento
por este mundo fora. Não demasiados no sentido em que são demais, mas que são
pessoas de menos a ficar em Portugal. As avós choram, as mães agarram-se aos
Facebooks desta vida, os primos publicam selfies e mais
selfies dos mais pequenos que crescem, sem medos nem vergonha. Os amigos casam-se e têm filhos e casam-se de novo e para novos não vão.
O coração, esse fica cada vez mais apertado porque não pode sentir muito senão não aguenta estar fora. Não aguenta? Quer dizer, aguenta porque tem que aguentar porque lá fora "há mais oportunidades" e as pessoas são mais educadas, tudo tem mais estilo (então os cafés, esss são mesmo giros) e não há tristeza que não se camufle com um filtro ou outro no Instangram.
O dia a dia? Esse lá se passa de casa para o trabalho e para o primeiro de novo, não sem antes passar no pub para beber o copo da praxe e no Tesco para comprar uma frutinha embalada em embalagens e umas bananas verdes que ficam pretas em meio dia. Se a vida é boa? É boa mas não é Lisboa. Felizmente há as férias que nos levam de regresso a casa - para dizer verdade, quem nos leva é a Ryanair - para ver os amigos e as amigas e saltar de almoço para jantar para lanche e brunch.
O coração, esse fica cada vez mais apertado porque não pode sentir muito senão não aguenta estar fora. Não aguenta? Quer dizer, aguenta porque tem que aguentar porque lá fora "há mais oportunidades" e as pessoas são mais educadas, tudo tem mais estilo (então os cafés, esss são mesmo giros) e não há tristeza que não se camufle com um filtro ou outro no Instangram.
O dia a dia? Esse lá se passa de casa para o trabalho e para o primeiro de novo, não sem antes passar no pub para beber o copo da praxe e no Tesco para comprar uma frutinha embalada em embalagens e umas bananas verdes que ficam pretas em meio dia. Se a vida é boa? É boa mas não é Lisboa. Felizmente há as férias que nos levam de regresso a casa - para dizer verdade, quem nos leva é a Ryanair - para ver os amigos e as amigas e saltar de almoço para jantar para lanche e brunch.
Emigrante que é emigrante tem uma visão deturpada, romantizada vá, do que é
a pátria querida. Lá o tempo é ameno e nunca chove - pelo contrário, faz sempre sol. Não há trabalho mas também não é preciso, porque os preços são baixos e pode-se sempre ir a casa do pai ou herdar o carro do tio. Para além disso, está cheia de turistas que estão cheio dele, e só com muito azar é que não pinga algum. E a comida? Ui a comidinha é da boa, não sabe a plástico, vem em doses generosas e sabe mesmo bem, como a da mãe.
Curiosamente, nesse mesmo paraíso, toda a gente se queixa de tudo. Até de nós que estamos cá fora e recebemos imenso, nem sabemos o que eles lá passam, até porque nunca lá vivemos, não é? Ou então somos uns totós porque gastamos imenso dinheiro com tudo, até a ir lá. Isto porque aqui nada presta mas enfim, um dia lá voltaremos e saberemos o que é bom.
Bem me parecia, somos todos uns totós. Por isso é que estamos fartos de textos sobre imigrantes.
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