This is Afro Londoner
Não há nada como o IKEA. Não há. Quando o assunto é mobilar a casa e os adjectivos bom, giro e barato, é lá que se tem que ir. Em Portugal, seria pegar no carro, definir o budget, as medidas, os básicos e rezar ( ao bom senso) para não sair de lá na bancarrota. Em Moçambique ( vá, que não falo de lá há tanto tempo), seria seguir o catálogo online durante o ano todo, apontar as referências e aproveitar os curtos dias de férias para comprar alguns miminhos a preços decentes e que coubessem na mala de regresso, naqueles dolorosos 30 quilos - candeeiros de papel, individuais, talheres, separadores para o roupeiro, eu sei lá, sei que era o que tinha em casa, trazido pelas tão queridas visitas. Ou então ir à famosa Avenida de Angola e entrar no Moz IKEA* e, com sorte, pagar o triplo ou quiças umas módicas 10 vezes mais, tornando uma pechincha num objecto de design de desejo. O que não é só mau. Ensina a dar valor aos pequenos luxos que em casa eram dados como adquiridos. Ensina ainda a aproveitar tudo o que a terra nos dá, das esteiras de palhinha às paletes, das capulanas às garrafas de cerveja que viram castiçais, passando pelas estátuas em pau preto (ou pintado de preto), búzios, cascas de coco que viram saboneteiras e por aí a fora. Acho que nunca vou perder este hábito de aproveitar, reciclar, reutilizar. Se em pequena queria ser do Green Peace, agora quero viver em paz e ser consumer friendly dá-me algum gozo embora ir à Primark também.
Então e ir ao Ikea cá em London? É simples. É ter 2,80 libras para apanhar o metro ( pode-se sempre voltar a pé), aproveitar a considerável viagem para definir o que se precisa e comprar apenas o necessário que quase sempre é mais do que é na verdade. Porque o taxi de volta é caro e não queremos alugar aka pagar uma carrinha. E porque ninguém quer uma casa igual às outras todas, pois não? Sobretudo quando só andar na rua inspira, onde em cada esquina alguém se esquece de um sofá de pele manhosa, ora de colchas prontas a serem remendadas, ora de outro lixo extraordinário que só é recolhido uma vez por semana. Onde, como sabem e bem, há milhares de lojas com coisas giras, inúteis, pirosissimas, mesmo ansiosas por decorar um quarto em Hoxton. E a amada-odiada Primark, com os seus lençõis e toalhas a 10 libras, toalhas a menos e almofadas a 2. Tão barato que justifica uma ida nem que seja para ver a quantidade de nacionalidades que por aqui vive. Uma verdadeira experiência cultural, com tudo a que se tem direito até cheiro a caril.
Viva a poupança, a ausência e consequente criatividade mas viva ainda mais o poder de escolha, a liberdade e a censura num caixote do lixo.
* nome meramente ilustrativo.
Então e ir ao Ikea cá em London? É simples. É ter 2,80 libras para apanhar o metro ( pode-se sempre voltar a pé), aproveitar a considerável viagem para definir o que se precisa e comprar apenas o necessário que quase sempre é mais do que é na verdade. Porque o taxi de volta é caro e não queremos alugar aka pagar uma carrinha. E porque ninguém quer uma casa igual às outras todas, pois não? Sobretudo quando só andar na rua inspira, onde em cada esquina alguém se esquece de um sofá de pele manhosa, ora de colchas prontas a serem remendadas, ora de outro lixo extraordinário que só é recolhido uma vez por semana. Onde, como sabem e bem, há milhares de lojas com coisas giras, inúteis, pirosissimas, mesmo ansiosas por decorar um quarto em Hoxton. E a amada-odiada Primark, com os seus lençõis e toalhas a 10 libras, toalhas a menos e almofadas a 2. Tão barato que justifica uma ida nem que seja para ver a quantidade de nacionalidades que por aqui vive. Uma verdadeira experiência cultural, com tudo a que se tem direito até cheiro a caril.
Viva a poupança, a ausência e consequente criatividade mas viva ainda mais o poder de escolha, a liberdade e a censura num caixote do lixo.
* nome meramente ilustrativo.
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