What a feeling

Há sentimentos estranhos de digerir. Como quando algo corre tão mal que dá vergonha e não sai da cabeça, ao ponto de parecer que passa para a cara e toda a gente vai perceber. Foi o que senti há bocado quando sai de casa para entregar CVs aqui à volta, em lojas e pubs com boa onda - ao menos isso. Que toda a gente sabia que a minha apresentação de hoje tinha corrido mal, mesmo mal. Que me tinham feito mil perguntas às quais não soube responder com inteligência, que o meu inglês mais parecia o meu ( não) alemão e que estava abaixo da média. Então só entreguei um, numa loja de roupa minúscula de uma coreana que me ligou zero. Senti-me tão pequena, impotente, como se este mundo não fosse para mim.
Em pouco mais de uma hora a andar aqui à volta pensei no que vale a pena e no que não vale nada, nas exigências da vida, na concorrência, nas expectativas dos outros, nas nossas, até no chinelo no pé e na horta biológica. Mas logo a seguir passei por tanta coisa gira que quero experimentar, da qual quero fazer parte, que me lembrei que não me posso dar ao luxo de desistir. Porque me quero dar a outros. Amanhã há mais. 

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