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A mostrar mensagens de maio, 2013

Sofá, Televisão e os mimos da avó

Basicamente é isto que me fazia feliz este fim de semana. Sem grandes deambulações ou pensamentos, apenas o conforto de uma casa-casa, da família, dos amigos. Sentir que pertenço a algum sitio, que faço falta, que é ali que devo estar. Algo que não sinto há muito tempo, que cheguei a sentir em Moçambique mas ainda não tive tempo para sentir em Londres. É tanta informação, tanta coisa nova, tantos desafios. O novo trabalho, os colegas, os 8 graus que mal chegam aos 10, a ausência do sol, um quarto numa casa partilhada que cada vez mais parece pequena demais, os laços que se demoram a construir, as distâncias, o tempo, o das horas e o da meteorologia. Continuo sem me arrepender de ter vindo, a achar que tomei a melhor decisão, que é aqui que devo e quero estar agora. Sei que toda a mudança tem um período de adaptação, que as "good things come for those who wait" e que um belo capítulo ainda vai ser escrito em inglês. Por isso é levantar a cabeça, não faltar ao yoga e animar. Q...

Há bares e há baristas

Esta semana começa tarde. Ontem foi dia de Bank Holiday por cá e aproveitámos os três dias de descanso para ir visitar o M a Manchester. Foi tão bom ter companhia, conhecer pessoas novas, dormir numa cama confortável e derreter num mega sofá em frente à televisão. Tudo isto com muita luz e sol. Soube ainda melhor sair de Londres pela primeira vez em dois meses e meio, após uma semana bastante intensa e produtiva. Fim de semana de 3 dias merecido. Para quem anda distraído, há cerca de duas semanas arranjei o meu primeiro trabalho em Londres como barista. Para quem o é realmente, distraído, um barista não trabalha num bar mas num café. No meu caso, n este - quem goste, que faça like. O H+H não é um café qualquer mas uma Coffee Shop especializada, o que significa que não só servimos café de qualidade como somos conhecedores do nosso produto. E isso não se aprende só com a prática mas também com formação e alguma teoria. De onde vem o café, qual a planta, as plantações, os grãos, as cas...

This is London #10

O Sol aqui às vezes só nasce lá para as 4:00 da tarde, como aconteceu hoje. Outras nem isso, por isso há que dar as graças e ir para a rua. Em Londres, se todos os dias são dias de mercado, domingo é dia do flower market em Columbia road. É vê-los e a elas a passar nas suas bicicletas, cobertos em riscas e bolas e cheios de flores nos cestos, costas ou debaixo do braço. Quase que cheirou a Primavera. Para a semana há mais.

Dias cinzentos

A morte faz-nos pensar na vida. Faz equacionar voltar para casa, pensar no que é que se anda aqui a fazer, se todo este esforço vale a pena. Faz querer voltar para perto da família, ver os pequenos crescer, ajudar os grandes a envelhecer. Faz querer ir dar a mão a quem sempre nos deu tudo, sorrir para quem gosta de nós incondicionalmente, estar lá só para fazer companhia. A morte faz-nos pensar como a vida é preciosa e em como temos a obrigação de a aproveitar. Bom domingo.

Dim Sum, planners e aliens

Há muito tempo que uma 6a à tarde não me sabia a 6a à tarde. Com sentimento de dever cumprido, copo de vinho e jantar de Dim Sum num restaurante fancy do centro de Londres. Ontem tive uma entrevista especial- talvez porque não foi mesmo uma entrevista, talvez por ter sido com quem foi, não sei. Como o consegui? Não foi assim tão simples como pareceu quando lá cheguei. A semana passada perdi a cabeça e inscrevi-me no APG, o Account Planning Group, basicamente o grupo dos planners ingleses, associação que dá alguns privilégios como conferências, conversas e acesso a documentos e nomes importantes da indústria publicitária. Isto implicou um investimento próximo dos 150 euros - é bom que tire muitos cafés para a semana e que receba boas gorjetas - e lá fui a uma conferência onde um padre, uma mulher polícia, um publicitário e um político falaram de situações onde tiveram que lutar contra as probabilidades de tudo correr mal. E safaram-se. Ora, ao mesmo tempo que estava muito atenta ao q...

Lição do dia

Encarar as entrevistas como se fosse um exame. Estudar o suficiente até saber tudo sobre a empresa, treinar as respostas em voz alta (baixinho também funciona), fazer apontamentos. Saber os nomes importantes, os clientes da casa, as notícias boas, as menos boas, as assim-assim, onde é, porque é ali, o doce favorito do entrevistador and so on. Cuscar o LinkedIn, o Facebook, blogs, vídeos, jornais, vale tudo. Mas mesmo tudo, até levar cábulas.

Aqueles dias daqueles

São daqueles dias em que não se sabe o que escrever, aqueles que têm passado. Entre novas descobertas de sítios e pessoas, há que não desistir de enviar CVs, cada vez mais focados, cada vez mais dedicados - cada vez menos motivados? Uma feira de emprego para start-ups, um almoço com o M que veio de Manchester ( mas que bem que sabe comer peixe fresco em Londres, uma raridade), um lanche de anos em que nada faltava nem os sugos, uma conferência da APG ( e o começo do networking na área?), uma entrevista com uma headhunter, outra para um estágio para account ( vá, goze quem perceber o que isto significa), outra amanhã. Não sei muito bem que balanço posso fazer dos últimos tempos. Passaram 2 meses e uma semana desde que cheguei e para a semana começo o meu novo trabalho como barista. Ainda não sei nada sobre horários ou equipas, apenas que vou ter duas semanas de formação ( fins-de-semana off) na sede da empresa e que sou paga à hora o equivalente ao salário mínimo. Hm, não é bem a situ...

Dad, Mom, I´m a barista!

Ontem foi um dia muito importante. Não só fez 2 meses que cheguei a Londres como foi o dia em que arranjei o meu primeiro trabalho cá. Dia 20 de Maio, segunda-feira, começo como barista num café no centro de Londres. Muitos podem não compreender a minha felicidade afinal, "ela vai tirar cafés" mas para mim é muito mais do que isso. Em primeiro lugar, é o recuperar da auto-confiança após algumas rejeições. Foi um processo de recrutamento diferente do normal mas rigoroso. Começou com 30 perguntas compartimentais online, daquelas com resposta múltipla mas que não podes excluir nenhuma das respostas, apenas por em ordem de preferência. Segui-se uma tarde de quase 4 horas de dinâmica de grupo. Responder a uma questão sobre atendimento ao cliente e apresentar em equipa, falar em público, entrevista individual e ainda um caso prático: criar a própria bebida e dar-lhe um nome - adivinhem qual foi a mais fácil para mim? E pronto, de uma mistura quase intuitiva lá nasceu o Yummie Nute...

Não há 1 sem 2

E não é que já faz 2 meses que cheguei a Londres? Maputo parece tãoooo longeeee! Acabei de acabar a última entrevista da semana, uma skypada com Nova Iorque. Já é fim de semana? Pera, ainda não. Recebi mais um telefonema. Arranjei trabalho!!!! Como barista num café super giro . E esta, hein? Lá vou eu tirar os meus soyas lattes e fazer sanduíches mega cromas. Mas sem esquecer porque vim para cá: apostar na minha carreira ( quero dizer com isto que vou continuar na hercúlea task de enviar CVs todos os dias). Começo dia 20 e mais tarde escrevo com mais calma e pormenores. Agora é celebrar. E lembrar de quem me tem dado apoio todo o santo dia, mesmo quando não estava assim tão feliz. Obrigada daqueles a sério.

Dar nas (entre)vistas

Hoje, finalmente, voltei às entrevistas. E foi tão bom. Esperei mais de uma hora - aparentemente houve uma urgência, daqueles fogos publicitários que têm que ser apagados no momento - e, quando estava mesmo quase a dizer à menina da recepção que se calhar era melhor voltar noutro dia, o J, o MD da agência, chamou-me para a reunião. Fomos para o estúdio de edição de som e imagem e a C, Head of Planning, juntou-se para uma rápida mas inspiradora conversa. Voltei a ser eu e soube tão bem. Sem medos, sem inseguranças, sem complexos. Falei da minha experiência em Moçambique, do porquê de ter vindo para cá, da luta que tem sido conseguir atenção das agencias, das aspirações, do que posso trazer de novo, do que me falta aprender. O inglês saiu fluido, não perfeito mas perfeitamente compreensível, talvez fruto das pesquisas e TPCs que tenho andado a fazer. No final, confidenciaram que a agência está a passar por uma fase complicada. Mas que é uma porta aberta, que houve "great connection...

Daily life

Sábado: refazer ( tetrafazer?) todos os CVs, um para a minha área, um para Sales Assistant, um para Barista, um para Waitress. Domingo: Brunch no Breakfast Club com tostas em pão de sementes, ovos escalfados no ponto, espinafres e cogumelos. Segunda: Bank Holiday, bolo de chocolate e portefólio. Terça: entrevista. Quarta: entrevista. Quinta: entrevista. Sexta: beber para esquecer?

Oh bagel, my bagel

Ali em Bick Lane, menos de meia hora a pé, há duas lojas de bagels daqueles de comer e ficar a pensar no próximo. Entre as variadissimas opções, a escolha vai sempre para o de salmão fumado. Sem maionese de ovo, sem queijo creme, sem manteiga. Apenas cheio de salmão a brilhar e sabor a massa acabada de sair do forno, cozida no ponto, que não só delicia como conforta os apetites. Yummie. Nota: isto é um clássico de East London. Estas bagel shops estão abertas 24 horas por dia, todo o ano e as filas aos fins de semana serpenteiam pela rua. Mas vale a pena a espera, mesmo para o carnívoros. Bagel com carne assada ali na hora e uma pinta de mostarda. Diz quem prova, que é uma especialidade.

Banquete na rua

Já tinha ouvido falar do social de East London, até visto, mas só ontem senti na pele. Aqui ao lado, a caminho do Dalston, há uma feira de comida, o  Street Feas t, todas as 6as-feiras das 5 às 10 ( já sabem que eles aqui gostam de começar cedo e deitar cedo para no dia seguinte irem aproveitar o parque. Eu também. Pena ontem terem estado uns 20 graus durante o dia e hoje 10 e nuvens). De cachorros a hamburgueres de carne e veggie, wraps jamaicanos a burritos mexicanos, passando por cupcakes, brownies e donuts com Nutella, lá pode comer-se um pouco de toda a street food londrina. Basta ter coragem para esperar na fila que dá a volta ao quarteirão ( mas até anda rápido) e saber escolher. A M, que está cá a visitar, foi para o frango assado - aparentemente very exquisite mas não acredito que vença o da Tendinha da Graça- a R, para os burritos hiper picantes, eu para a veggie box dos jamaicanos, com hamburguer de feijão, saladas variadas e banana frita, o J para o belo hamburguer, cl...

Há ele e há nós

E eis senão quando o desânimo começa a tomar conta e recebe-se um e-mail com boas novas - mais uma entrevista para a semana, no total de 3 - e ouve-se este senhor . Va lá, ouçam também, são só 15 minutos que animam muitos mais.