Dar nas (entre)vistas

Hoje, finalmente, voltei às entrevistas. E foi tão bom. Esperei mais de uma hora - aparentemente houve uma urgência, daqueles fogos publicitários que têm que ser apagados no momento - e, quando estava mesmo quase a dizer à menina da recepção que se calhar era melhor voltar noutro dia, o J, o MD da agência, chamou-me para a reunião. Fomos para o estúdio de edição de som e imagem e a C, Head of Planning, juntou-se para uma rápida mas inspiradora conversa. Voltei a ser eu e soube tão bem. Sem medos, sem inseguranças, sem complexos. Falei da minha experiência em Moçambique, do porquê de ter vindo para cá, da luta que tem sido conseguir atenção das agencias, das aspirações, do que posso trazer de novo, do que me falta aprender. O inglês saiu fluido, não perfeito mas perfeitamente compreensível, talvez fruto das pesquisas e TPCs que tenho andado a fazer. No final, confidenciaram que a agência está a passar por uma fase complicada. Mas que é uma porta aberta, que houve "great connection" e, como tal, falou-se da possibilidade de fazer alguns trabalhos como freelancer - aparentemente a forma mais fácil de entrar no mercado. O J falou ainda na sua experiência em NY, do que teve que lutar para ser ouvido, de como, mesmo tendo mais de 20 anos de experiência como designer senior em Londres, teve que dar uns passos atrás. No final, despedimo-nos com um sorriso. Sincero, não londrino. E lá fui eu à H&M ver as vistas. Afinal, merecia.

Lição número sei lá quantas: Nunca desanimar ou, se acontecer, erguer a cabeça o mais rápido possível para que dure o menor tempo possível. E acreditar, não sei no quê mas acreditar que é possível.

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