Dad, Mom, I´m a barista!

Ontem foi um dia muito importante. Não só fez 2 meses que cheguei a Londres como foi o dia em que arranjei o meu primeiro trabalho cá. Dia 20 de Maio, segunda-feira, começo como barista num café no centro de Londres. Muitos podem não compreender a minha felicidade afinal, "ela vai tirar cafés" mas para mim é muito mais do que isso. Em primeiro lugar, é o recuperar da auto-confiança após algumas rejeições. Foi um processo de recrutamento diferente do normal mas rigoroso. Começou com 30 perguntas compartimentais online, daquelas com resposta múltipla mas que não podes excluir nenhuma das respostas, apenas por em ordem de preferência. Segui-se uma tarde de quase 4 horas de dinâmica de grupo. Responder a uma questão sobre atendimento ao cliente e apresentar em equipa, falar em público, entrevista individual e ainda um caso prático: criar a própria bebida e dar-lhe um nome - adivinhem qual foi a mais fácil para mim? E pronto, de uma mistura quase intuitiva lá nasceu o Yummie Nutella Latte e uma porta abriu-se.
Segundo, significa começar a receber em libras, semanalmente, e assim deixar de ter que pagar as nada simpáticas taxas e câmbios e ainda poder deixar de lado o meu pé de meia para quando voltar a ser preciso.
Terceiro, é uma empresa super gira, com boa onda, bem brandizada e com óptimos produtos. Assim vou fazer o meu estudo de mercado no terreno, aprender mais sobre os ingleses e aperfeiçoar o inglês.
Finalmente, e talvez a mais importante, esta é a minha profissão fetiche - para além de outras que um dia revelarei, a seu tempo. Sempre me imaginei a ter um café, servir os clientes da casa, conhecer as suas preferências melhor que eles próprios, vender os bolos da minha mãe e por aí a fora. Eu sei que vou ser "só uma barista" mas tenho a certeza que é o começo de algo bom.
Só quem já passou por isto - por um full-time job hunting- sabe a felicidade que é receber um telefonema a dizer que nos portámos bem na audiência e que nos vão oferecer um contrato de trabalho. Como barista sim, e com muito orgulho. Afinal, se para agências tenho o mundo dos publicitários a concorrer comigo, para trabalhar num café tenho o mundo inteiro: os publicitários, os artistas, os designers de moda, os arquitectos, os fotógrafos, os cineastas, até os baristas profissionais ( sim, eles existem, são tipo designers-chefs do café) e por aí a fora, basicamente toda a gente que quer trabalhar num café enquanto não arranja algo melhor. E olhem que é mesmo muita gente.

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