Há bares e há baristas
Esta semana começa tarde. Ontem foi dia de Bank Holiday por cá e aproveitámos os três dias de descanso para ir visitar o M a Manchester. Foi tão bom ter companhia, conhecer pessoas novas, dormir numa cama confortável e derreter num mega sofá em frente à televisão. Tudo isto com muita luz e sol. Soube ainda melhor sair de Londres pela primeira vez em dois meses e meio, após uma semana bastante intensa e produtiva. Fim de semana de 3 dias merecido.
Para quem anda distraído, há cerca de duas semanas arranjei o meu primeiro trabalho em Londres como barista. Para quem o é realmente, distraído, um barista não trabalha num bar mas num café. No meu caso, neste - quem goste, que faça like. O H+H não é um café qualquer mas uma Coffee Shop especializada, o que significa que não só servimos café de qualidade como somos conhecedores do nosso produto. E isso não se aprende só com a prática mas também com formação e alguma teoria. De onde vem o café, qual a planta, as plantações, os grãos, as castas, os processos de extracção, os sabores doces, os amargos e até os ácidos, o corpo do dito, as temperaturas, a pressão para tirar um bom expresso e os 11 passos para lá chegar, como fazer microfoam, como aquecer o leite a 60, 65 e até a 70 graus e senti-lo com a mão e não com a ajuda do termómetro (a partir de 73 já queima e faz cheirar mal), qual a diferença de tamanho da espuma para um latte, para um cappuccino e para um flat white, como limpar o Ferrari das máquinas do café sem dar prejuízo and so on. Um barista tem ainda que saber como atender o cliente com delicadeza, fazer chá sem queimar as folhas e até saber o que é um baby chinno que não é mais que espuma de leite com chocolate em pó, servido num copo de expresso para take away, mas que as mães adoram dar aos seus pequenos. Tem ainda que saber as regras de higiene e segurança no trabalho, ser óptimo a trabalhar em equipa, ter humildade para deitar fora uma bebida que não esteja 100% (mesmo que haja uma fila de 20 clientes - e olhem que o average londoner pode ser bem intimidante) e, claro, fazer isto tudo com eficiência e um sorriso. Mesmo quando só apetece chamar nomes a alguém e sair dali para fora.
E como aqui saber, é saber fazer, há que mostrar isto tudo num teste prático de algumas horas, em que no mínimo se fazem 10 bebidas com latte art - aqueles corações e flores em cima das bebidas com leite - e se respondem a outras quantas perguntas mais técnicas como qual a pressão certa para moer café de filtro. Ao qual eu passei, com distinção. Clap, clap.
Por isso, a partir de hoje podem chamar-me barista. Apesar de nunca ter trabalhado num bar.
Para quem anda distraído, há cerca de duas semanas arranjei o meu primeiro trabalho em Londres como barista. Para quem o é realmente, distraído, um barista não trabalha num bar mas num café. No meu caso, neste - quem goste, que faça like. O H+H não é um café qualquer mas uma Coffee Shop especializada, o que significa que não só servimos café de qualidade como somos conhecedores do nosso produto. E isso não se aprende só com a prática mas também com formação e alguma teoria. De onde vem o café, qual a planta, as plantações, os grãos, as castas, os processos de extracção, os sabores doces, os amargos e até os ácidos, o corpo do dito, as temperaturas, a pressão para tirar um bom expresso e os 11 passos para lá chegar, como fazer microfoam, como aquecer o leite a 60, 65 e até a 70 graus e senti-lo com a mão e não com a ajuda do termómetro (a partir de 73 já queima e faz cheirar mal), qual a diferença de tamanho da espuma para um latte, para um cappuccino e para um flat white, como limpar o Ferrari das máquinas do café sem dar prejuízo and so on. Um barista tem ainda que saber como atender o cliente com delicadeza, fazer chá sem queimar as folhas e até saber o que é um baby chinno que não é mais que espuma de leite com chocolate em pó, servido num copo de expresso para take away, mas que as mães adoram dar aos seus pequenos. Tem ainda que saber as regras de higiene e segurança no trabalho, ser óptimo a trabalhar em equipa, ter humildade para deitar fora uma bebida que não esteja 100% (mesmo que haja uma fila de 20 clientes - e olhem que o average londoner pode ser bem intimidante) e, claro, fazer isto tudo com eficiência e um sorriso. Mesmo quando só apetece chamar nomes a alguém e sair dali para fora.
E como aqui saber, é saber fazer, há que mostrar isto tudo num teste prático de algumas horas, em que no mínimo se fazem 10 bebidas com latte art - aqueles corações e flores em cima das bebidas com leite - e se respondem a outras quantas perguntas mais técnicas como qual a pressão certa para moer café de filtro. Ao qual eu passei, com distinção. Clap, clap.
Por isso, a partir de hoje podem chamar-me barista. Apesar de nunca ter trabalhado num bar.
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