Cartas em branco | Olá a todos os que gostam de mim
Maputo, 23 de Março de 2011
Vó São, Mãe, Pai, Zé e Mário, Fá e
Fé, Titi, Teté, Princesa, Avô, Guegué, Avó Jú, Guida e Zé Pedro, João, Mari B,
Isabel, Ritinha, Pipinho, Malhufa, Tereré, Mano, Gueduxa, Mari Ana, Joaninha,
Margaruda, Mari Jane, Martinha, Martinha, Garciette, Champala, Coutinha,
Carissimo Consul, Tati, Ana, Rudi, Nuno, e todos aqueles que querem saber de
mim e estão ou estiveram ao meu lado quando estou bem ou mal.
Se vos contasse em detalhe tudo o
que se passou no último mês e meio talvez só acreditassem pela personagem
principal em causa. Como sabem, desde que cheguei a Maputo pouco ou nada
comuniquei com quem tem o devido direito. Serve a presente carta para
manifestar o meu empenho e vontade em mudar esta situação. Em poucas palavras
(que rápido passam a imensas), a partir de agora quero e vou ser mais assídua
na escrita, não só porque não vivo sem como, e principalmente, porque sem vocês
nunca teria tomado esta decisão que mudou a minha vida – sem grandes exageros,
apenas porque grandes decisões requerem sempre escolhas e consequentes
aprendizagens.
Querem saber onde estou agora, neste
momento em que vos escrevo? No chão do meu segundo quarto (ou terceiro, se
quiserem considerar o do Hostel Base Backpackers aqui de Maputo), mais
especificamente sentada na mega esteira aka templo do Yoga, comprada em
Xipamanine por 80 meticias (pouco mais de 2 euros) com o meu lindo mac ao colo.
Pormenor, estão cerca de 40 graus à sombra/dentro de
casa/onde-quer-que-se-esteja e sei lá quanta humidade mas a suficiente para
ainda não ter parado de suar desde o douche matinal.
Colorindo a descrição, pareço um
pinto suado depois de ter andado meia hora desde o Instituto
Franco-moçambicano, agradável local onde almoçamos 4 a 5 dias por semana, até
casa. Contudo, não posso deixar de aproveitar este momento de paz ao som se Seu
Jorge para deitar cá para fora o que tenho na alma. Escolho o formato carta
pois é uma forma de expressão que admiro pela sua capacidade em falar
directamente nos olhos de quem nos lê, independentemente da distância.
Infelizmente, não as poderei enviar com exóticos selos e respectivos carimbos
locais para o correio de cada um de voz mas fá-lo-ei via e-mail, sempre que
puder.
Assim, e antes de prosseguir a saga
destas cartas em branco, agradeço que deixem aqui o vosso e-mail no caso de
quererem recebê-las. É isso, este blog não vai ser público mas direcionado a
quem vier por bem.
Eis que pensei, pensei e pensei e
pedi opinião e desta vez não me vou expor como no desta é que é 2. Não pode ser,
preciso de liberdade de expressão para viver. A vida é curta demais para dar
importância a toda a gente que nos aparece à frente. Por isso há que escolher
bem a quem nos devemos dedicar, sem falsos paternalismos ou quaisquer
moralismos. Porque o meu objectivo de vida é ser feliz, quero partilhar o
melhor de mim com quem gosto. Espero, portanto, que estas modestas palavras
façam parte disto.
Até já,
a vossa sara
Nota: Cartas em Branco são uma compilação de textos que enviei aos meus queridos aquando da minha chegada a Maputo em 2011. Hoje, passados 7 anos, partilho com todos vós, sem (re)ediçōes, filtros ou outros polimentos. Obrigada pela compreensão.
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