(Lis) Boa onda

Tanta coisa na cabeça que nem sei por onde começar. Depois das loucuras africanas ( que fazem a India parecer para meninos), decidi levar esta nova fase com calma, no sofá com os avós. Isto no domingo porque ontem já tive direito a latte de soja no Starbucks, pargo no forno, maçã reineta assada com canela até espirrar, sushi delicioso com morangos e sobremesa de pêra rocha com gelado de violeta, sabor àqueles rebuçados da nossa infância que as avós tinham em casa e sabiam a sabonete perfumado. É bom estar em casa, é óptimo. Já conheces as coisas más, então é só aproveitar as boas. Ainda agora estava a dizer ao meu pai que toda a gente deveria sair de Portugal e sentir como é estar fora para então voltar e dar mais valor. Mas isso sou eu que não sei muito bem o que digo.
Hoje tinha o voo para Londres mas troquei. Estava a exigir demasiado ao meu corpo e não podia ser. Não será por uns dias que as oportunidades vão deixar de surgir e dá mais um tempinho para organizar coisas, dar abraços, comer coisas boas e passar some quality time com quem há muito esperava por nós. E ainda ir à Zara que uma mulher com 3 anos de África tem os seus direitos, não é verdade?
Então é isso e ainda voltar à luta da busca de emprego, de casa e recomeçar a rotina - que nunca pensei fazer tanta falta. É um voltar devagarinho à Europa do coração que está velhinha mas ótima para as curvas.
Aos que ficaram lá, umas palavras especiais. Toda a sorte e força do mundo. Que Moçambique vos dê, pelo menos tudo o que nos deu e que fique convosco no coração, sem mágoas, sem sentimentos maus. Mas que também não esqueçam que isto aqui não é assim tão mau como se anda a pintar. Pelo contrário. É bom, muito bom.


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