To B or not to Brixton

Quando chegámos, faz hoje 3 semanas, uma das primeiras coisas que fizemos foi inscrever-nos no Spareroom, um dos melhores sites de pesquisa para quem quer encontrar quarto aqui em Londres ( há quem goste do Gumtree e do Right Move mas aí não tive muito sucesso, talvez porque são mais especializados em alugar/vender casas na totalidade). Tivemos que dar alguns dados normais como o nome e e-mail e ainda fazer um bonito anúncio de procura, com direito a foto e tudo: " Couple not too couple looks for a double room". Agora que já temos casa, tenho que dizer que valeu a pena expor um bocadinho da nossa vida. Gostos, hábitos, trabalho, estava lá tudo num texto bonito inspirado em outros que, como nós, decidiram usar a Internet para conhecer pessoas na sua situação e encontrar a melhor solução de partilha. Todos os dias recebíamos e-mails com resultados da nossa pesquisa, quartos em Angel/Islington, Shoreditch, Hoxton, Camden e ainda mais umas quantas zonas que não nos interessavam muito mas não estávamos em condições de descartar. Como Brixton, a última paragem da sul da linha azul, Victoria. Recebíamos ainda várias mensagens de pessoas que queriam partilhar casa ou tinham um quarto a mais. Menos simpáticas eram os contactos dos agentes imobiliários. Geralmente estas casas são um pouco mais caras, considerando a mesma zona e mesma área ( exigem comissões, cauções e outras complicações), e não têm sala mas uma cozinha com mesa que dá para partilhar as refeições. Não era bem o que procurávamos mas para quem vem sozinho ou tem pouco tempo para encontrar um sitio pode ser uma opção. Nunca se sabe quem são os flatemates mas qualquer coisa é so fechar a porta do quarto e ligar a Internet ilimitada. Pelo menos está quentinho, aqui as casas têm (quase) sempre aquecimento central.
Depois era ver os anúncios que interessava e contactar. Mais de metade era lixo: casas feias com mobília horrível, longe, pequenas, demasiado caras, demasiado posh ou demasiado hipster, com gatos, com regras estranhas, eu sei lá. O que vale é que há gostos para tudo. O passo seguinte era mandar mensagens, e-mails ou telefonar. Vale tudo dependendo dos contactos que se tem e de quem está do outro lado (  há quem deixe o telefone mas a maioria só pode ser contactada pelo sistema de mensagens do próprio Spareroom). Finalmente era perder 2-3 horas, geralmente ao fim do dia, para ir ver a casa, conhecer as pessoas, desbravar as zonas. Tudo com os sweet zero graus que nos têm acompanhado mas nada de chuva e até algum sol. Esta dinâmica pode parecer um pouco estranha ao início mas depois vai-se lá, é um bocado na base da confiança e boa fé. Nota positiva.
Voltando a Brixton, aquele sitio que vos falei lá em cima. Pois que fica demasiado lá em baixo do rio. Hoje que finalmente fomos ver como era, já posso dizer que é uma Brooklin cá da zona há 20 anos, quiças até uma Amadora daqui a outros 30. Coisas boas, gente de todo o lado, feirinhas de trocas e pechinchas - aliás, o que nos levou até lá, dica da Time Out, lojas peculiares e ainda as mainstream. Outras menos boas, exactamente por isso, gente de demasiados lados e demasiadas pechinchas. Mais curioso ainda é o bairro lá ao lado, Stockwell, aparentemente o bairro dos portugas que vivem em Londres. Café do Minho, Delicatessen de Sintra, Restaurante do Douro, ali há de tudo. Desde a broa de milho que comprámos para o nosso jantar de Páscoa passando pelos pasteis de nata, leite Ucal e até queijo da Serra. O sonho para muitos mas não o nosso. Se quiséssemos tudo isso tínhamos ficado em Portugal. Mas é sempre bom saber onde ir quando se quer beber uma bica. E ouvir uns belos palavrões. 

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